abril 28, 2004

"Queremos ser europeus"

A Associação Académica de Coimbra (AAC) enviou hoje uma carta ao primeiro-ministro e à Assembleia da República a exigir que os estudantes sejam "tratados como europeus", para beneficiarem de um sistema de "ensino superior melhor" e que não esteja "na cauda da Europa".
A direcção-geral da AAC considera, como se lê na missiva, que Portugal tem "o pior" sistema de ensino superior da União Europeia. O presidente da AAC, Miguel Duarte, disse à Lusa que o documento foi endereçado directamente a Durão Barroso já que, sobre estas matérias, a ministra da Educação tem-se revelado de "uma apatia total e acrítica".
"Exigimos que seja feito um comentário a este documento", disse, referindo-se à missiva e ao dossier de cerca de 70 páginas que é o resultado final das reuniões que a AAC teve nos últimos meses com as embaixadas dos diferentes países da UE.
"Queremos ser europeus" é o «slogan» escolhido pelos estudantes que, como disse Miguel Duarte, consideram que "uma convergência (na Europa) sobre os sistemas de ensino só trará benefícios para o desenvolvimento de Portugal".
O dirigente estudantil sustenta que, ao contrário do que se verifica nos outros países europeus, em Portugal existe "um degrau enorme entre o ensino superior e os restantes sistemas de ensino". "Sobrevaloriza-se o benefício individual da licenciatura e não se valoriza o benefício colectivo", lamentou.
Miguel Duarte acrescenta que, quando em outros países "nem sequer se ouve falar de propinas, em Portugal criou-se o dogma da contribuição das famílias, o que ultrapassa toda a razoabilidade". O líder estudantil sublinha também que "há vários países da União Europeia onde é financiado o ensino pós-graduado" e reclama que Portugal siga o mesmo caminho, em respeito da Declaração de Bolonha. "Nessa altura, uma licenciatura não chegará e serão necessárias as pós-graduações", precisou.
O dossier foi também entregue ao presidente da Assembleia da República e aos grupos parlamentares, com quem os estudantes reuniram.

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março 26, 2004

Amor e disciplina

Pessoalmente sempre achei que isto de ter filhos é (deve ser) uma responsabilidade que se assume.
E, sem querer estar para aqui armado em pedagogo, acrescento que sempre achei que essa responsabilidade de ser pai / mãe se traduz por duas palavras que devem estar sempre presentes: amor e disciplina.
Amor, não apenas como equivalente do imenso afecto que sentimos pelos nossos filhos, mas, igualmente, como sinónimo de disponibilidade e atenção: estar com eles, brincar e passear com eles, conversar, responder-lhes a todos os porquês, explicar-lhes o mundo e a vida, ter paciência, estar atento e actuante ao dia-a-dia dos nossos filhos no jardim de infância e, depois, na escola... Isto, claro, só para citar alguns ítens.
Disciplina, no sentido de regras a cumprir (explicando, tanto quanto possível, o sentido dessas regras), não deixando os meninos fazer tudo o que lhes passa pelas cabecinhas nem lhes dando, de mão beijada, todos os objectos pedidos.
Teoricamente parece fácil. Na prática do quotidiano - todos os pais e mães sabem - é mais difícil do que parece.

Mas vem isto a propósito de uma notícia relativa às primeiras jornadas de Educação, subordinadas ao tema «Violência Escolar e Saúde Infantil», a decorrer hoje, e a declarações de António Ponces de Carvalho, presidente do comité português da Organização Mundial de Educação Pré-escolar (OMEP).
Referindo-se à falta de regras na educação de uma criança diz, nomeadamente:
«Uma criança que não tem de obedecer a regras em casa é um potencial agressor». Mais: «Existem fortes probabilidades de se transformar num toxicodependente e num aluno que não gosta da escola e que obtém maus resultados.»
«Um pai que dá tudo a um filho pensa que está a ser um bom educador, quando, na realidade, está a ser péssimo»diz o presidente da OMEP, alertando para o facto das crianças «mal educadas» - que nunca são contrariadas - desenvolverem níveis baixos de auto-estima, de autoconfiança e de resiliência (capacidade de resistir a contrariedades).
Ponces de Carvalho faz a distinção entre dois tipos de violência: a da criança que é agredida e a da criança que, «por não estar habituada a ouvir a palavra "não” reage agressivamente cada vez que não consegue obter algo. Isto porque não está habituada a conquistar nada».

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março 06, 2004

Quão inteligente sois realmente?

Quereis realmente saber?
Pois podeis sabê-lo aqui.

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fevereiro 29, 2004

Amor, Intuição e Aprendizagem

Cena 1 - Café onde vou quase todos os dias beber a bica. Uma jovem mãe com o filho, um puto de uns quatro ou cinco anos, bastante irrequieto. O puto corre pelo café, empoleira-se nas mesas, sobe e desce das cadeiras, entorna o leite, suja-se com os bolos e guloseimas, quer isto e aquilo, grita, faz birras, atira o queque para o chão porque não era aquele o bolo que desejava...
A mãe repreende o puto com palmadas nas mãos, açoites no rabo, alguns abanões. O puto chora. A mãe pega-lhe ao colo e mima-o. Compra-lhe o bolo com creme que o puto deseja. O puto suja-se com o creme, põe-se de pé em cima da cadeira, cai e choraminga. A mãe segura-o por um braço e repete-lhe: “És mau, muito mau, não gosto de ti, não gosto nada de ti...” O puto chora alto e tenta bater na mãe. A mãe pega-lhe de novo ao colo e dá-lhe muitos beijinhos.

Cena 2 – Um escritório. Entra um pai com uma filha de uns três anos. Enquanto o pai conversa e trata do assunto que lá o levou, a miúda parte á descoberta do território. Mexe nos computadores, calculadoras e outras máquinas, carrega em todos os botões, parte alguns, desarruma agrafadores, papeis e canetas, risca paredes. O pai olha-a benevolente, sorri e limita-se a repetir um “não mexas aí” sem convicção. Uma empregada do escritório tenta “distrair” a miúda e leva-a a uma sala lá dentro para lhe dar um copo de água. A miúda regressa com uma colher na mão, com a qual bate em tudo e em todos, muito divertida. O pai sorri, encantado com as gracinhas da menina e repete um “tá quietinha” sem convicção.
À despedida, a miúda recusa-se a devolver a colher, gritando e chorando. O pai, complacente, diz apenas: “Deixem lá ela levar... É só uma colher, depois eu devolvo.” A miúda sai, vitoriosa, ao colo do pai, a bater-lhe nas costas e na cabeça com a colher.

Não são cenas de nenhum filme. São cenas da vida real, a que eu assisti. Lembrei-me delas – e de várias outras que ocupariam muito tempo e espaço a contar – a propósito de uma notícia que tinha como título «Não basta intuição para educar os filhos».

De acordo com a referida notícia, relativa á realização do Congresso «Pais no Século XXI - um desafio a vencer», realizado em Lisboa, defendeu-se a criação de «escolas de pais» nas escolas dos filhos para fomentar a educação parental no País, aliás já consagrada na lei, mas sem ainda ter passado de intenção no papel.
Isto porque, de acordo com Manuela Neto, coordenadora nacional para os assuntos de família, «nos dias de hoje não basta a intuição para educar um filho». Muitos pais, apesar de todo o amor que têm pelos filhos e desejando o melhor para eles, e ainda que cheios de boa-vontade, educam-nos de uma forma caótica, por motivos diversos, balançando entre excesso de autoritarismo e excesso de permissividade.
Uma das razões muitas vezes apontada é a falta de tempo da família, mas segundo Daniel Sampaio, presente no referido Congresso, «o tempo é um falso problema. O que é importante é a qualidade do relacionamento».
As referidas aulas de educação parental consistem em reuniões de grupos de pais que, juntamente com técnicos e pedagogos da área, discutem e partilham as suas experiências.

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fevereiro 08, 2004

Em defesa da educação

Mais uma vez fala-se de educação. Hoje é Nuno Crato, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão, membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Matemática e da Comissão para a Promoção do Ensino da Matemática, que no Público defende algumas medidas.
A seguir transcreve-se frases que achei mais relevantes de toda a entrevista.

«Não se pode culpar os alunos. Se eles não aprendem é porque nós, sociedade em geral e não só os professores, não estamos a funcionar como devíamos.»

«Há falhas que são mais ou menos evidentes, que estão assinaladas e que podem ser supridas. Uma delas, que é revelada pela comparação dos resultados obtidos no 1º e no 2º ciclo, é o grande desnível existente entre as duas etapas de estudo.»

«São fracas a Matemática como estou convencido que serão fracas em quase tudo. As pessoas falam da Matemática porque é mais visível. Haverá falhas em Matemática, História, Português, Geografia... Simplesmente, a Matemática é um barómetro do estado do ensino mais rigoroso que outros, porque revela melhor as deficiências do ensino do que as outras disciplinas. Isso explica-se por duas ou três características. Primeiro, é mais cumulativa; é muito difícil recuperar-se sem ter as bases: se o aluno não sabe somar fracções, a seguir vai ter mais dificuldade com os polinómios. Segunda agravante: em Matemática, as respostas estão habitualmente certas ou erradas, pelo que é muito fácil as notas serem muito boas ou muito más.»

«Um problema fundamental é que não existem exames nacionais. A única altura em que são feitos é no 12º ano. É complicado saber o que cada um está a fazer bem ou mal se não existe nenhum exame nacional.»

«As actuais provas de aferição não dizem o que cada aluno sabe. É preciso algo mais do que exames do 9º ano. Será no 6º, será no 4º, não sei, mas estou convencido que é preciso criar algo mais.»

«Os programas mudaram demasiadas vezes sem avaliação do que foi feito. Aquilo que é necessário, que é saber quais as práticas, programas e orientações que têm sucesso, quais os que não têm, isso não pode ser estudado ainda em Portugal. Não tem havido uma estabilidade educativa que permita fazer essa análise.»

«Há uma lei de 1992, que nunca foi cumprida, que diz que os manuais devem ser avaliados, mas que é tão complicada e tem coisas tão absurdas que nunca foi posta em prática. Defendo que o ministério, ou outras entidades que disso fossem encarregues, faça uma avaliação dos manuais existentes. Não seria vinculativa, mas indicaria aos professores a opinião de alguns pessoas idóneas sobre os livros escolares.»

«Há a ideia de que as ciências e a Matemática são mais difíceis. Os estudantes habituaram-se a que seja socialmente aceitável não gostar e ser mau a Matemática. Se se ouvir na televisão: "Eu de Matemática não sei nada, percebo perfeitamente que os estudantes tenham maus resultados", isso passa habitualmente sem condenação. Imagine o que seria se essas pessoas dissessem na televisão: "Português, que horror! Eu não sei falar bem português, eu não sei escrever português..."»

«Todo o medo em relação à Matemática e às ciências é derivado do seu desconhecimento e do facto de as pessoas não terem conseguido ter uma formação razoável que as fizesse gostar dessas disciplinas, pois elas são tão bonitas como o português ou as artes plásticas.»

«Acho que as universidades estão também numa encruzilhada: por um lado têm menos candidatos e, por outro, os candidatos que têm aparecem com pior formação. Se não os aceitam ficam vazias e vão à falência. Acho que deviam reagir a isto de uma maneira positiva, fazendo cadeiras preparatórias, com o objectivo de acompanhar alunos que vêm mal preparados. As universidades têm-se recusado a fazê-lo, quando esta é uma solução óbvia e que permite evitar o desperdício de recursos.»

«A situação da formação de professores é má. A formação contínua não funciona. Persistem as acções tipo "tapetes de Arraiolos" que dão créditos para a progressão na carreira, mesmo que se trate de docentes de Matemática. Quanto à formação inicial de professores, é boa nuns casos e má noutros. O que é muito grave para o ensino básico e secundário é que a entrada na carreira seja feita apenas com base na nota final do curso. E esta é da responsabilidade das escolas. Resultado: há instituições que formam alunos que saem com 18 valores e que estão muito mais mal preparados do que outros que têm média de 12. E os que saem com 18 passam à frente.»

«Julgo que só há uma forma moderna de resolver o problema. Há a antiga, salazarenta, que é mandar os inspectores às escolas ver o que se passa . E há a moderna. O empregador dessas pessoas, que é o Estado, faz um exame de entrada e pergunta ao professor de Português: em que ano nasceu Camões, foi no século XVIII ou no XVI? Não sabe isto, não entra. Ou quanto é que é um terço mais um quarto? Um futuro professor de Matemática tem de saber responder.
Estou a caricaturar, mas a ideia é esta: o empregador deve fazer um exame às capacidades científicas do candidato a professor. Uma instituição que formasse 200 pessoas com 18 valores e em que nenhuma conseguisse entrar na carreira ver-se-ia assim obrigada a reformular os seus critérios.»

O problema é complicado mas, tem-se de diagnosticá-lo convenientemente e tomar as medidas certas, para resolver um dos problemas mais prementes da sociedade portuguesa.
Não haverá nenhum “crânio” no Estado que entenda a urgência em resolver esta questão?

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janeiro 29, 2004

Assim vai o ensino

Alunos com resultados negativos a Português e Matemática

Os mais de 116 mil alunos do 6º ano que, em Maio de 2002, realizaram as provas de aferição, não conseguiram mais do que uma média de 33,5 por cento, numa escala de 0 a 100.

Mudam os governos, mudam as políticas, mudam os programas, mudam as pedagogias, mudam os conteúdos, mudam as avaliações. Só uma coisa não muda: os resultados.
Vimos assistindo, há muitos anos, a resultados francamente negativos no ensino, com especial relevância no Português e na Matemática. Estas disciplinas são pilares básicos na formação dos alunos. No entanto, são as que registam piores médias. Logo, toda a formação do aluno anda comprometida.
Será que os alunos não se esforçam?
Ou será que o sistema não responde correctamente às necessidades da formação?

A sociedade portuguesa defronta-se, na actualidade, com variados problemas, uns mais graves do que outros. Pessoalmente, defendo duas questões que coloco no topo da pirâmide das prioridades: O Ensino e a Fiscalidade . Enquanto estas duas questões não forem convenientemente resolvidas, muitas das outras questões continuarão comprometidas.

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janeiro 15, 2004

O futuro está na educação

Já por aqui se tem afirmado muitas vezes, a propósito de diversas situações, que, sem uma boa educação, o país e os seus cidadãos não conseguirão impor-se na esfera internacional.
Este conceito de educação é em sentido lato, isto é, deverá abranger todas as componentes da formação do indivíduo enquanto ser humano.

Esta educação deverá começar no dia do nascimento e acabar no dia da morte.

Assim, as creches, os infantários, as escolas básicas, as escolas secundárias, as escolas profissionais e as universidades têm, para além da formação dos indivíduos na componente académica, o dever de ajudar na formação destes enquanto pessoas. Um bom desenvolvimento psicológico, uma boa postura perante a vida e uma integração correcta na sociedade a todos trará benefícios.
Para que esta formação seja assimilada, deverá ser traçada uma política educacional que abranja todas estas etapas e que prepare todos os intervenientes – as instituições, os recursos humanos e os materiais didácticos – para esta Educação, dotando-a dos meios adequados. A definição dos objectivos, dos recursos disponíveis e dos meios financeiros a serem atribuídos, de uma forma clara e transparente, é essencial para que todos percebam quais as regras do “jogo”, que “jogos” há para jogar e até onde se pretende “jogar”.
Convém salientar que os resultados de uma política correcta de educação só começam a ser visíveis uns bons anos após o começo da sua implementação.

Tudo isto a propósito da presidência aberta da Educação, que Jorge Sampaio vai realizar.
O importante nesta iniciativa é a chamada de atenção para a questão da educação e da sua importância para o desenvolvimento do país.
Se estamos atrasados em relação à Europa isso significa que temos um défice de Educação.

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janeiro 14, 2004

O maior palavrão em português....

Por palavrão entende-se a palavra com maior número de caracteres, não é ordinarices....
Aqui nesta casa, não se pronunciam ordinarices!
Para quem for curioso e quiser saber qual é o maior palavrão em Português.
Parece fácil, mas não é.....

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dezembro 07, 2003

As novas tecnologias não funcionam nas escolas

O governo diz que a maioria das escolas já está ligada à Internet.
Talvez seja verdade, mas se não se usar ou se usar incorrectamente, qual a vantagem?
Tudo isto a propósito das candidaturas de professores a horários escolares.
Mais de 50 % das escolas não têm pagina electrónica.
Muitas escolas tinham a caixa de correio cheia, ou o endereço era inválido.
A grande maioria das escolas nem sequer respondeu aos mail’s das candidaturas.

De tudo isto ressalta uma conclusão:
Não basta ter as escolas ligadas à Internet, é preciso tirar partido desta ferramenta.
E a escola pode tirar benefícios importantes a nível burocrático, mas para isso, tem de se organizar informaticamente.

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dezembro 05, 2003

Uma máquina utilizável ou uma personalidade?

Um professor universitário aposentado conta esta história verídica:

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de júri na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física, que recebera nota zero.
O aluno contestava a avaliação, alegando que merecia nota máxima pela resposta, dizendo haver uma "conspiração do sistema" contra ele.
Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um júri imparcial, e eu fui o escolhido.
Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia:

"Mostre como se pode determinar a altura de um edifício com o auxílio de um barómetro?"

A resposta do estudante foi a seguinte:
"Leve o barómetro ao alto do edifício e amarre-o a uma corda; baixe o barómetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda este comprimento será igual à altura do edifício."

Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correcta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes, vacilei quanto ao veredicto.
Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima já que havia respondido à questão completa e correctamente.

Entretanto, se ele tirasse nota máxima estaria a receber aprovação num curso de Física, sem que a resposta confirmasse o seu conhecimento.

Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder à questão: ele teria seis minutos e a sua resposta deveria demonstrar, necessariamente, algum conhecimento de Física.

Passados cinco minutos ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para a parede da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida e não tinha tempo a perder. Surpreso fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido.
Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor.

Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.

No momento seguinte ele escreveu esta resposta: "Vá ao alto do edifício, incline-se numa ponta do telhado e solte o barómetro, medindo o tempo "t" de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula "h =(1/2)gt^2", calcule a altura do edifício.."

Perguntei ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição de dar praticamente a nota máxima à prova.
Concordou, embora sentisse nele algum descontentamento, e talvez mesmo algum inconformismo.

Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema.

Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas.
"Ah!, sim," - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura dum edifício com a ajuda de um barómetro." Perante a minha curiosidade e a perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações:

"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barómetro e o comprimento de sua sombra projectada no solo, bem como a do edifício, depois usando-se uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício.

Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e directo, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barómetro. Contando o número de marcas ter-se-á a altura do edifício em unidades barométricas.

Um método mais complexo seria amarrar o barómetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade(g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois "g's", e a altura do edifício pode, em princípio, ser calculada com base nessa diferença.

"Finalmente..." concluiu, - "se não se exigir uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo: pode-se ir até o edifício e bater à porta do porteiro. Quando ele aparecer; diz-se: 'Caro Sr. porteiro, tenho aqui um óptimo barómetro. Se me disser a altura deste edifício, dou-lhe o barómetro de presente.'"

A esta altura, perguntei ao estudante se ele sabia qual era a resposta esperada' para o problema.

Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto das tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente absorvidas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, essencialmente, uma farsa!!!

Fantástico, não é verdade?

E, como dizia Einstein:

"Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correcto"

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dezembro 02, 2003

O que pensam os Portugueses das propinas

A maioria dos portugueses concorda com o pagamento de propinas no ensino superior, mas está contra o aumento de cerca de 500 Euros na prestação máxima que este ano entrou em vigor.

A conclusão é retirada do barómetro DN/TSF hoje divulgado e que mostra ainda que a maioria dos portugueses é contra a decisão do Governo de serem as faculdades a fixar as propinas.

Dois em cada três portugueses (66,3 por cento) são a favor do pagamento de propinas, com 24,2 por cento a manifestar opinião contrária e 9,5 por cento sem responder ou a afirmar não saber. Mas para 59,5 por cento dos portugueses, a propina máxima não deveria aumentar tanto este ano. Cerca de 30 por cento defendem o valor e 9,6 por cento não sabem ou não respondem.

Uma escassa maioria está contra a decisão do Governo (43,2 por cento) de entregar a fixação do valor das propinas às faculdades, enquanto 38,8 por cento a acha correcta.

A sondagem foi realizada pela Marktest para o "Diário de Notícias" e TSF entre 18 e 21 de Novembro, abrangendo um universo de 809 indivíduos, com um erro de amostragem de mais ou menos 3,45 por cento, para um intervalo de confiança de 95 por cento.
in Público

Os “bold” são da responsabilidade de A Verdade da Mentira

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novembro 29, 2003

A única cabeça iluminada do Estado?

O Presidente da República, Jorge Sampaio, criticou ontem a "passividade empresarial", defendendo que as empresas deveriam abrir mais as suas portas aos recém-licenciados.

"É preciso uma ligação permanente entre as empresas e as faculdades", defendeu Jorge Sampaio, na cerimónia de comemoração dos 25 anos da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, depois de entregar os diplomas aos licenciados, entre os quais estava o seu filho, André Sampaio.

O Presidente da República frisou que a qualificação "é o motor essencial da vida portuguesa" e afirmou que é preciso que os portugueses saiam "do colete de forças da falta de auto-estima".

Em tom informal, o chefe de Estado começou por agradecer a "disponibilidade" da universidade, que lhe permitirá "dar uma aula ou outra" quando "ficar sem emprego" em Janeiro de 2006. Provocando os risos na sala, Sampaio propôs mesmo leccionar a cadeira de "gestão das expectativas em política ou a fábula do infeliz", em que contaria a sua experiência enquanto chefe de Estado.

Será esta a única cabeça iluminada do Estado?
Ou os “outros” não são assim tão parvos, mas entraram no “safa-te o melhor que puderes” e “os outros que se lixem”?
Já diz o ditado “quem se lixa sempre é o mexilhão” .

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O ensino e a formação em Portugal

Extractos de um texto de Nicolau Santos no Expresso

A TRISTE realidade é esta: Portugal encontra-se hoje fora das rotas do investimento directo estrangeiro (IDE). Mais: no estádio de desenvolvimento intermédio em que se encontra, Portugal não apresenta nenhuma vantagem competitiva que o distinga de outros países por forma a atrair um ou dois grandes investimentos estruturantes.....
.... é esta a situação retractada num estudo do Ministério das Finanças, onde se sustenta que Portugal está «cercado» na captação de IDE pelas regiões autonómicas espanholas, como a Catalunha e a Andaluzia, e pelos países da Europa Central e do Leste...
....Os problemas portugueses têm que ver, essencialmente, com a qualificação dos recursos humanos. A receita é aumentar a formação por todos os meios. Os resultados dessa política, contudo, serão a médio prazo. E o duro combate pela captação de IDE trava-se agora. Nesse sentido, há algo que se pode e deve fazer:
- Adoptar e multiplicar o exemplo da «Academia Auto», uma iniciativa da VW/Siemens/Bosch para formar recursos humanos necessários a essas empresas num prazo muito curto;
- Desenvolver o projecto «Défices de capital humano», idealizado pela API, através do qual será possível dispor de informação relativa aos diplomados e finalistas dos cursos do ensino secundário, pós-secundário e superior em áreas técnicas e tecnológicas, para que se possa accionar, caso a caso, respostas rápidas para cada projecto de investimento que o solicite.

Por aqui se vê como o défice no ensino geral e na formação específica é alto.
Os resultados de uma política de formação aguerrida só serão visíveis a médio prazo.
Assim as necessidades hoje sentidas, resultam de políticas incorrectas do passado.
Mas é preciso modificar este estado e muito rapidamente, senão perderemos definitivamente o comboio da Europa.
Os novos países que integrarão a UE no próximo ano, tem níveis de formação que superam a média da UE, pelo que a nossa posição dentro da UE ficará ainda mais fragilizada.

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Propinas, Ensino Superior Público, a razão dos estudantes e a falta dela

A luta dos estudantes não se resume às propinas e à recusa do seu pagamento. Esse é um pretexto destacado de uma contenda mais vasta no campo do ensino. Medite-se neste texto interessantíssimo de

Fernando dos Santos Neves
in Expresso

OS ESTUDANTES têm razão de não ter razão e não têm razão de ter razão!

Contra o que parece ser a opinião geral (no caso, simultaneamente «opinião pública», «opinião publicada» e até «opinião publicitada»), há que dizer que os estudantes (das universidades públicas), nesta luta de que as propinas pouco mais constituem que o pretexto e aquilo que os especialistas chamam «revelador ou analisador institucional», têm múltiplas razões para ter razão e até para terem razão de não ter razão. Basta olhar para o estado da educação ou da falta dela em Portugal e ter a consciência de que a mesma é a condição «sine qua non» e o motor essencial do desenvolvimento humano sustentável de qualquer sociedade, cuja raiz de subdesenvolvimento e de pobreza radica sempre, em última análise, no seu analfabetismo.
Que é feito, em Portugal, da bela norma revolucionária, democrática e constitucional da «educação universal, obrigatória e gratuita», a todos os níveis e sendo evidente como é que, hoje, tal norma relativa à educação de base se estende necessariamente não só ao ensino primário, como no tempo dos seus avós, e ao ensino secundário, como no tempo dos seus pais mas ao ensino superior, a verdadeira e indispensável alfabetização ou literacia do nosso tempo? Já nos demos suficientemente conta de que a primordial tragédia da sociedade portuguesa é que ela continua tão analfabeta no século XXI (ausência do ensino superior) como no século XX (ausência do ensino secundário) e como no século XIX (ausência do ensino primário) e que é, essa, a razão de base do seu «último lugar» entre todos os países da União Europeia e alguns arredores?

Como é possível tolerar o que se passa no ensino secundário, em que a percentagem de insucesso e de abandono é de cerca de 50%? Uma boa e útil e economicamente rentável maneira de dar emprego a todos os professores desempregados não seria ocupá-los no acompanhamento adequado de todos esses jovens literalmente assassinados e para sempre excluídos da sociedade?...
Como admitir que a sociedade portuguesa, ao contrário do que continuam a pensar e a escrever até alguns fazedores de opinião da nossa praça, tenha tão poucos diplomados, quer absoluta quer comparativamente, e isto quando todas as estatísticas nacionais e internacionais convergem no sentido de demonstrar que, por exemplo, a falta de competitividade é directamente proporcional ao analfabetismo ou iliteracia de qualquer sociedade? E quando é que os «estadistas» e os «economistas» prevalecerão sobre os «contabilistas» e os «merceeiros», dando razão às palavras sempre actuais: «Matemática é fácil, difícil é a Economia»?
Que é feito da aplicação do «Processo de Bolonha», colocando-se Portugal, uma vez mais, na cauda de todos os países da Europa e já não só da actual União Europeia?
E que dizer dos serviços sociais universitários e das bolsas estudantis inexistentes ou próprias dos países do 3º mundo?
Etc., etc., etc.
Não faltam, assim, razões para se dizer que os estudantes têm razão de se revoltar... mesmo se também razões não faltam para se dizer que não têm razão...
Não têm razão, por exemplo, os estudantes das universidades públicas para se esquecerem dos estudantes das universidades privadas, que têm de pagar os seus estudos com propinas incomparavelmente mais caras do que as mais caras que agora lhes são propostas e para se esquecerem de todos aqueles cuja situação económico-social não lhes permitirá nunca o acesso a qualquer dos ensinos... Porque não protestam, por exemplo, contra os miseráveis salários e pensões que constituem a vergonha da União Europeia e são uma das fontes primárias (Bruto da Costa «dixit»!) da pobreza estrutural da nossa sociedade?...
Aliás, um dos grandes pecados originais que inquina todas estas lutas dos estudantes das universidades públicas e lhes dá (ou devia dar) uma má consciência inultrapassável é precisamente este: então os seus colegas das universidades privadas não são cidadãos portugueses com os mesmos direitos, designadamente, o mesmo direito à igualdade de oportunidades? E bastaria, aos estudantes, aplicarem os seguintes dois princípios de uma simplicidade linear e que fazem parte dos últimos progressos das sociedades ocidentais: o primeiro, é que é função do Estado (e aliás, repita-se, também o melhor investimento económico possível!) assegurar a todos os cidadãos o acesso ao campo fundamental da Educação, grátis para todos se for possível, em todo os casos para todos a preço igual; o segundo princípio é que, se ao Estado compete assegurar a todos os cidadãos a educação e demais serviços básicos, não lhe compete necessariamente e competir-lhe-á cada vez menos, à medida que as sociedades civis forem avançando, a realização por si mesmo desses serviços. Ou seja, o célebre e sempre válido princípio da subsidiariedade já não deve ser interpretado no sentido de que à sociedade civil só compete fazer o que o Estado não pode fazer, mas, ao contrário, no sentido do que ao Estado só compete o que a sociedade civil não pode fazer, não quer fazer ou efectivamente não faz! Trata-se de uma verdadeira «revolução copernicana» das mentalidades, que nada tem a ver com qualquer «deriva direitista» ou «neoliberal» (leia-se, por exemplo, o Estado e a Revolução de Lenine) e que os Estudantes deveriam ser os primeiros a compreender e a pôr em prática.
Lutas dos estudantes contra as propinas?
Porque não, desde que, também aqui ouvindo os sábios conselhos do Presidente da República, Jorge Sampaio, e adaptando as famosas palavras de Hamlet, nunca se esqueçam que há muita mais vida e muitas mais coisas no céu e na terra do que por vezes eles imaginam nas suas limitadas e cíclicas lutas contra as propinas.
Estudantes, vós tendes razão de não ter razão mas também não tendes razão de ter razão (para recorrer uma vez mais a famosa expressão sartriana do século passado). Porque não mais um esforço para terdes somente razão?
Ao contrário do que dizem os já por Horácio catalogados como os «louvadores do antigamente», vós não sois nenhuma «geração rasca», sois apenas, como todas as novas gerações a geração encarregada de «transformar o mundo» e de «mudar a vida»!

Reitor da Universidade Lusófona

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novembro 27, 2003

Apenas 20% dos estudantes portugueses completam o 12º ano

Segundo um estudo da Comissão Europeia (CE), Portugal está em último lugar na percentagem da população entre os 25 e os 64 anos que completou pelo menos o ensino secundário
Portugal tem apenas 20% da população com o 12º ano completo enquanto que Espanha, a penúltima classificada, tem cerca de 40%. Os países de Leste que em breve se vão juntar à UE têm uma escolaridade secundária de cerca de 90%, mais do que a média dos Quinze.

Que os responsáveis educativos deste país leiam este estudo e tirem as ilações devidas.
Que os responsáveis educativos empreendam a reforma necessária para alterar este estado de coisas.
Que o país concentre a sua atenção e recursos no investimento que traga benefícios ao país.
Que se deixe de “fazer política” e se passe a fazer “obras”.
Que haja responsabilidade neste país e que cada um assuma a sua quota parte.
Que a inovação e uma nova mentalidade surja como um novo “motor” para o país.

Eu não quero continuar no fundo da tabela!

É preciso avançar.....porra!

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novembro 23, 2003

Professores de Matemática dizem que a culpa do insucesso não é das calculadoras

Os professores de Matemática não gostaram de ver o ministro da Educação, David Justino, a subscrever as propostas da comissão constituída para melhorar o ensino da disciplina - e que, entre outras coisas, desaconselha "a utilização indiscriminada" da máquina de calcular nos primeiros anos de escolaridade. Reunidos em Santarém, acusam-no de "total inconsistência científica" em declarações que relacionam o insucesso dos alunos nesta área ao uso de calculadoras.
Numa moção aprovada no final de um encontro nacional - ProfMat, que durante três dias reuniu 1200 professores dos vários graus de ensino -, os profissionais questionam se serão medidas como a anunciada intenção de limitar o uso de calculadoras dos primeiros seis anos de ensino básico que resolverão o problema do insucesso em Matemática e em Ciências.
"Há hoje evidência científica suficiente para afirmar que a utilização de calculadoras não é responsável pelas dificuldades que as crianças e jovens revelam no cálculo e que, muito pelo contrário, uma boa utilização das calculadoras potencia aprendizagens fundamentais para o desenvolvimento das competências matemáticas indispensáveis para todos os cidadãos", lê-se na moção.
O documento lembra que a Associação de Professores de Matemática "tem pautado o seu trabalho, ao longo de 18 anos, pela promoção de um ensino de matemática de qualidade", desenvolvendo os seus associados "experiências, reflexão, pesquisa e conhecimento sobre a utilização das calculadoras, acompanhando e participando na investigação internacional neste domínio".
Os professores disponibilizam a sua "experiência e conhecimento para colaborar com o Ministério da Educação na construção de melhores soluções para um ensino básico de qualidade para todos".
Na abertura do encontro, o presidente da APM, Fernando Nunes, tinha lamentado o desprezo a que o Governo tem votado uma organização que conta com cinco mil associados, que não foi chamada a participar na comissão para a matemática e que viu ignorados todos os pareceres que lhe foram solicitados.
in Público

É esquisito que uma comissão para melhorar o estudo da matemática não integre elementos, nem aceite sugestões de uma Associação de Professores de Matemática.

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Português “estrangeiro”

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Universidade de Aveiro transformada em gigantesco "campus" experimental

A Universidade de Aveiro (UA) está transformada desde hoje num gigantesco "campus" experimental, no âmbito da 4ª Semana Aberta da Ciência e Tecnologia que, até sexta-feira, fará de cada visitante um potencial cientista.

Conhecer os contributos da química para combater as principais doenças do século XXI, aprender a prever o estado do tempo ou mesmo a provocar chuva são algumas das 109 actividades propostas no âmbito da Semana Aberta.

Os visitantes têm também a oportunidade de conhecer retardantes para combate aos fogos, ver doze mil espécies de plantas, assistir a competições de robôs, perceber o papel do espectador na TV interactiva e inteirar-se das novas potencialidades das comunicações sem fios.

A UA registou 15 mil pedidos de inscrição para participação nestas actividades, de estudantes (140 escolas), professores especialistas e interessados em "vestir a pele" de cientistas e tecnólogos, revelou fonte do Serviço de Relações Públicas do estabelecimento de ensino.

"Trata-se de uma iniciativa com potencial para a dinamização das estratégias de promoção da ciência e da cultura científica junto dos jovens e da população em geral", disse Francisco Vaz, vice-reitor da UA para a área de investigação e assuntos científicos, durante uma conferência de imprensa.

A Semana Aberta termina com a apresentação pública do Cienciapt.NET, o primeiro portal de ciência, tecnologia e inovação em Portugal. O portal será a maior base de dados nacional, disponibilizando um conjunto de diferentes serviços e ferramentas que permitem ao utilizador dispor de uma área de trabalho electrónica de qualidade e inovadora.

Durante este primeiro dia de actividades da Semana Aberta, o Departamento de Química está a promover visitas guiadas aos seus laboratórios de investigação, explicando para que serve o equipamento ali existente.

A Semana Aberta da UA foi lançada em 2000, tendo sido visitada nesse primeiro ano cerca de quatro mil visitantes.
in Público

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novembro 22, 2003

Mais Horas de Matemática e Menos Calculadoras no 1º Ciclo

Mais de um ano depois de ter sido formalmente constituída, a Comissão para a Promoção do Estudo da Matemática e das Ciências terminou o seu primeiro relatório de diagnóstico e recomendações. As propostas foram anunciadas ontem pelo ministro da Educação, David Justino, e passam em grande parte pelo reforço do ensino da Matemática logo a partir do 1º ciclo (primeiros quatro anos do ensino básico).
Neste nível de escolaridade, os professores devem consagrar pelo menos 90 minutos diários à Matemática (e outros tantos ao Português), começa por sugerir este grupo de trabalho. Em consonância, também no 2º ciclo (5º e 6º anos) deverá haver um "reforço da componente horária" destas matérias, acompanhado de uma "redução do número de disciplinas".
Ainda em relação aos primeiros anos da escolaridade, desaconselha-se a "utilização indiscriminada" da máquina de calcular, dado que "limita a aquisição dos automatismos de cálculo, imprescindíveis à realização em tempo útil das tarefas cognitivas mais complexas", sustenta a comissão. A limitação da utilização da calculadora nas aulas deve manter-se no 3º ciclo e secundário, embora menos acentuada. Deve, sobretudo, ser considerada como um instrumento "subsidiário" e não substituto de competências básicas.
E se a máquina de calcular pode perder importância, já a tabuada e as operações aritméticas devem ser revalorizadas.
Outra das medidas sugeridas prende-se com o reforço do estudo da geometria no 1º ciclo, como forma de tornar mais simples a aprendizagem dos conceitos mais abstractos da Matemática. A geometria poderá ajudar, por exemplo, nas demonstrações de algoritmos e axiomas.
Para além destas e outras medidas específicas propostas para melhorar o ensino de uma das disciplinas que mais dificuldades causam aos alunos portugueses, o volumoso relatório - são 250 páginas de diagnóstico, avaliações comparadas, análises parcelares e contributos vários - faz ainda uma série de recomendações de carácter mais global.

In Público

Será que com estas mudanças, os resultados na matemática vão melhorar?
Esperemos que sim!

Publicado por vmar em 07:13 PM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 21, 2003

Semana da Ciência e da Tecnologia arranca amanhã

Laboratórios, universidades e museus abrem portas entre amanhã e a próxima sexta-feira, para uma nova edição da Semana da Ciência e da Tecnologia, que este ano será assinalada com cerca de 250 acções gratuitas em todo o países.

Pelo sexto ano consecutivo, o programa Ciência Viva, na dependência do Ministério da Ciência e do Ensino Superior (MCES), organiza um conjunto de acções para dar a conhecer quem são os cientistas portugueses e o trabalho que desenvolvem.

Para tal, e numa iniciativa do Conselho de Laboratórios Associados, organismo que reúne os directores dos 15 laboratórios que colaboram com o Estado, os investigadores vão voltar à escola, dando aulas de educação científica.

Além disso, instituições científicas, universidades, museus e centros de ciência vão abrir as suas portas, proporcionando um contacto directo com o público. Serão ainda promovidas sessões de filmes científicos, exposições, colóquios e debates.

Durante a próxima semana, vão também ser apresentados os resultados do programa Ocupação Científica de Jovens nas Férias, uma iniciativa do programa Ciência Viva que permite a alunos do ensino secundário realizar estágios de Verão em laboratórios e instituições estatais. Os participantes na iniciativa vão, para isso, voltar aos laboratórios e mostrar aos colegas e professores o trabalho desenvolvido no Verão.

A par destas actividades, decorrerão encontros para discutir ciência informalmente em Cafés de Ciência, em Lisboa, no Pavilhão do Conhecimento, e em Coimbra, no Café de Santa Cruz.

Estas e outras iniciativas constam do programa de actividades da Semana da Ciência e da Tecnologia.

in Público

Publicado por vmar em 06:07 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 18, 2003

Uso de computadores nas aulas aumenta o rendimento dos alunos?

Um estudo do Instituto espanhol de Evaluación Idea conclui que o uso de computadores nas salas de aula aumenta a motivação dos alunos em 66,7 por cento.
A equipa de investigadores, coordenada por Álvaro Marchesi e Elena Martín, estudou 1602 alunos, divididos em dois grupos mas com o mesmo professor, nas disciplinas de matemática e ciências sociais. Numa sala de aula foi utilizado o habitual livro de textos e na outra foi introduzido o computador como complemento. Os investigadores prepararam materiais digitais educativos e foi realizado um curso de formação para os professores.
No final da experiência, os docentes dizem que o interesse dos alunos pelas matérias melhorou e que aumentou a capacidade de adaptação do ensino às necessidades de cada aluno. Estes mesmos professores consideram que os estudantes aprendem mais no sistema tradicional.
Quanto aos alunos, 45,8 por cento disse que o uso do computador é sinal de qualidade no ensino e 54,9 por cento considera que aprende melhor no sistema tradicional. Apesar disso, 34,9 por cento acha que o seu interesse aumentou devido ao uso do computador e 39,7 por cento viu melhorar as suas relações com os colegas.
Os investigadores salientam que, apesar do pessimismo de professores e alunos, a verdade é que estes últimos aprenderam exactamente o mesmo com o computador do que com o livro de textos.

in Público

Contrariamente ao que muitos pensam o computador não resolve problemas, quando muito acelera a sua resolução. Mas a resolução das questões permanece na cabeça dos homens, pelo menos no futuro mais próximo.
O computador é um complemento importante na aprendizagem, pela facilidade de acesso à informação, pela qualidade da imagem, vídeos, som, etc., componentes que o “livro” não tem.
Talvez num futuro próximo estas limitações acabem com os novos suportes do “livro”.
Mas é verdade que o computador actualmente, exerce uma motivação extra nos alunos.
Assim é correcto pensar que o PC pode ajudar o estudo, mas não vai resolver os “problemas” do ensino.

Publicado por vmar em 12:29 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 17, 2003

Ensino Superior: Bolsas de estudo atribuídas a quem não tem direito

O secretário de Estado do Ensino Superior, Jorge Moreira da Silva, reconhece a necessidade de aperfeiçoamento dos critérios de atribuição de bolsas de estudo, segundo adianta a edição desta segunda-feira da Rádio Renascença.
Confrontado com a facto de haver alunos a receber bolsas sem terem direito a elas, o secretário de Estado reconhece falhas na atribuição de bolsas e afirma que é necessário «uma harmonização cada vez maior nos critérios de atribuição».
Mais de metade das queixas que estão na mãos da inspecção-geral da Ciência e do Ensino Superior são de má atribuição de bolsas e até mesmo de fraudes.
A sub-inspectora do serviço de inspecção-geral, Maria Helena Dias Ferreira, afirma que a maior parte das denúncias dizem respeito a alunos do ensino superior público.
A responsável acrescenta que para travar estas fraudes é necessária «uma maior intervenção do fisco», já que se trata de um caso de «evasão fiscal».

in Diário Digital

Como já aqui se disse vária vezes, enquanto não se resolver a questão da transparência fiscal não se consegue resolver vários problemas do ensino. Este é apenas um deles.
Agora, os responsáveis vêm reconhecer a questão.

Publicado por vmar em 11:34 AM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 16, 2003

Questões em Português

...Confesso que, depois de ler, no passado domingo (9 de Novembro), no jornal «Público», a descrição do novo programa de Português do Ensino Secundário feita pela direcção da Associação dos Professores de Português, o que me espanta é que, apesar de tudo, ainda haja tantos jovens capazes de sobreviver ao desprezo pela literatura que neste programa se enuncia de forma transparente....
.....Ninguém será capaz de explicar a estas almas-em-alínea que quem aprende a ler em profundidade Gil Vicente ou Camões, a poesia de Garrett ou o conto do século XIX (só para falar das obras literárias agora excluídas) é capaz de se lançar a todo e qualquer relatório ou regulamento, requerimento ou artigo jornalístico - e que a inversa não é verdadeira?...
.... Ficamos a saber, por exemplo, que o Ministério da Educação francês se tem preocupado em aumentar o peso da literatura no ensino da língua, desde a primeira infância - anexando listas de obras literárias aos programas (obras obviamente adequadas a cada idade). Nós preferimos que os nossos jovens aprendam a elaborar relatórios eficientes - talvez para que possam, daqui a 20 anos, justificar diante da Europa a permanência do País neste singularíssimo último lugar de produtividade.......
..... Na primeira sessão da comunidade do Seixal, há semanas, pedi a cada participante que falasse de um ou mais livros que tivessem marcado a sua vida - e a única que não soube o que responder foi uma estudante da licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, que nos explicou: «É que eu tenho que ler tantos livros de crítica e análise das obras que não tenho tempo para ler as obras em si...» Ainda assim, comoveu-me que esta estudante sobrecarregada de teoria-da-teoria se dispusesse a ler doze livros extraprograma, e a gastar seis tardes de sábado para viajar através deles com outros leitores.......

in Expresso por Inês Pedrosa

Enquanto não resolvermos convenientemente a questão da “educação” no nosso país, não conseguiremos libertamo-nos do nosso atraso cultural e continuaremos por muitos esforços que façamos, a ser a cauda da Europa. E o termo “educação” entenda-se no sentido lato da mesma, portanto em todas as vertentes da palavra.

Publicado por vmar em 12:11 PM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 12, 2003

Barata Moura: verbas para as universidades constituem um saque

O reitor da Universidade de Lisboa, José Barata Moura, classificou hoje de saque as verbas dedicadas às universidades no Orçamento para 2004, acusando o Estado de se desresponsabilizar pelo financiamento do ensino superior público.

As críticas, proferidas no discurso de abertura solene do ano lectivo 2003/2004, estenderam-se ao "aumento brutal" das propinas e à Acção Social Escolar.

"Só no que toca ao Orçamento de Estado transferido, em termos nominais, verifica-se entre 2003 e 2004, um diferencial negativo de cerca de 23 milhões de euros, para o conjunto do sistema universitário e politécnico", lamentou.

Perante um auditório cheio de alunos, professores, deputados e representantes de várias instituições, Barata Moura acusou o Governo de adulterar o cálculo do orçamento-padrão e os factores da fórmula de financiamento.

"Não para introduzir melhorias, mas para mascarar o corte dos suprimentos. Nove por cento só na Universidade de Lisboa", apontou.

O reitor falou em "obsessão doentia pelo Plano de Estabilidade e Crescimento, que leva o Governo a esquecer que a "despesa pública das universidades estava controlada, e que agora entra em risco de incumprimentos".

"Com os orçamentos emagrecidos que recebemos, com os controlos reforçados que em matéria de gestão sofremos, trata-se de um autêntico saque que importa pôr a descoberto", acusou.

Barata Moura denunciou também a insuficiência de meios de ajuda aos alunos mais carenciados, lamentando que uma universidade de 21 mil alunos, como a de Lisboa, apenas tenha capacidade de alojamento de 709 camas.

Além disso, "cerca de 16 por cento dos estudantes de formação inicial são bolseiros da Acção Escolar mas apenas um por cento destes recebe a bolsa máxima".

Sobre a Lei de Autonomia e Financiamento do Ensino Superior, o reitor sublinhou que "para haver autonomia, é necessário que as respectivas bases [financeiras, patrimoniais, de gestão] lhes sejam asseguradas, sem ingerências avulsas do Governo".

"Vamos entrar no terceiro ano de uma provação grave, em que temos sabido, e conseguindo resistir, mobilizando reservas, apurando a qualidade do essencial, procurando nas forças próprias a força da nossa razão", garantiu.
in Público

Afinal as propinas sempre servem para alguma coisa.
Para tapar o buraco criado pelo governo. E vamos ver se chega.

Publicado por vmar em 06:59 PM | Comentários (0) | TrackBack

Falta de educação

São 9.15h da manhã.
Local, uma loja da Portugal Telecom.
Encontro-me ali para entregar documentação para ver se sou reembolsado de uma cobrança indevida, por parte da PT. É a celebre taxa de activação referente ao ano de 1999.
De repente a senhora que está a ser atendida grita (grita ainda não é suficiente forte, mas pronto fica assim) com a funcionária sobre uma qualquer reclamação que não entendi. A seguir segue-se uma serie de injurias e frases ordinárias sobre a funcionária que calmamente nada responde.
Um pouco mais tarde alguém, que aguarda a sua vez, adverte a senhora exaltada, informando-a que a funcionária não tem culpa alguma da situação, e que se limita a cumprir ordens. A partir daqui a discussão começa a aumentar de tom, e em breve a troca de insultos passa a ser o tema da “conversa”.
A agressão só não tem lugar porque a senhora abandona a loja, atendendo à sugestão apresentada por alguém.
Mantenho-me em silencio, penso com os meus botões: é nestas alturas que tenho vergonha de ser português.

A questão da educação que tem atormentado tantas cabeças nos últimos tempos, apresentou-se neste episódio pelo lado negativo.
Sim que toda esta discussão que acabei de relatar, resulta de um simples facto:

Falta de educação!

P.S. a propósito de educação acho muito interessante verem este filme aqui : ilustra o comportamento dos italianos e das gentes da EU. Mas acho que se em vez de italianos estivessem lá os portugueses não haveria a mínima diferença.

Publicado por vmar em 11:50 AM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 11, 2003

Portugal ultrapassado pelos países do alargamento

Portugal é o único país da Europa dos Quinze que tem uma percentagem de licenciados inferior à média dos futuros estados membros da UE. Dados relativos a 2001 revelam que apenas 9% dos portugueses terminaram o ensino superior.
Entre os futuros membros, a percentagem média de diplomados é de 13,9%. A Estónia, por exemplo, apresenta três vezes mais licenciados dos que em Portugal. Também o Chipre, a Bulgária e a Letónia surgem com o dobro dos diplomados portugueses. Todos os restantes têm uma percentagem de trabalhadores com qualificação universitária superior à do nosso país, excepto Malta, que apenas tem 7% de licenciados
Em relação à população que termina o ensino secundário o fosso ainda é maior: apenas 19% , valor que representa um quarto da percentagem média dos futuros estados membros e dos países candidatos (77%). O relatório da Fundação Europeia de Formação, a que o DE teve acesso, revela ainda que Portugal tem também a mais elevada taxa de abandono escolar da Europa alargada e os piores níveis de literacia. A conclusão é fácil de tirar: com a entrada dos dez novos membros, em Maio de 2004, Portugal será ultrapassado, continuando no fundo da lista da UE em termos de escolaridade. Em declarações ao DE, a ministra Maria da Graça Carvalho não mostrou qualquer surpresa: «O diagnóstico já está feito».

Não faço nenhum comentário.
Cada um que tire as ilações que achar convenientes.

Publicado por vmar em 09:12 AM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 09, 2003

Ainda as praxes

Continuando o assunto já aqui publicado, refere-se a seguir extractos de uma notícia do DN.

A praxe é «uma prática que atenta contra os mais elementares direitos humanos» e exalta «os valores mais reaccionários da nossa sociedade», denunciam os movimentos Anti-Praxe (Antípodas, do Porto) e Anti-Tradição Académica (MATA, de Lisboa) e a República estudantil feminina «Marias do Loureiro», de Coimbra, num manifesto ontem divulgado nesta cidade e subscrito por sete dezenas de personalidades das mais diferentes áreas.
Não está apenas em causa a praxe académica dita abusiva, advertem os promotores do documento, que pretende ser a primeira de uma série de iniciativas no sentido de debater o assunto.
«Toda a praxe é um abuso», veicula «princípios e práticas corporativistas e elitistas» e traduz-se num «jogo violento e nada inocente», alertam, pugnando, «por uma faculdade diferente», por uma escola «aberta ao mundo que a rodeia, transformando-o e sendo por ele transformada».
Frederica Jordão, da República Marias do Loureiro, diz que as praxes e outras tradições académicas traduzem uma visão «corporativista e elitista» da universidade que já foi ultrapassada pela realidade histórica e social.

Publicado por vmar em 11:51 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 07, 2003

Manifesto anti-praxe apresentado este sábado em Coimbra

Vai ser apresentado este sábado em Coimbra um manifesto anti-praxe . O documento pretende ser uma forma de aglutinação do movimento a nível nacional e foi elaborado pelo Movimento Anti-Tradição Académica (MATA), o movimento Antípodas e a República Marias do Loureiro.
Segundo disse ao Diário Digital Tiago Gillot (do MATA), um dos principais objectivos é alargar a discussão a toda a sociedade, procurando contrariar a ideia de que este constitui um assunto que apenas diz respeito aos estudantes.

Discuta-se, esclareça-se e modifique-se a praxe, inovem façam o que quiserem.
Mas acabe-se com humilhações e com práticas feudais.
Deixem de “brincar” tanto e passem a ajudar os caloiros.

Publicado por vmar em 08:10 PM | Comentários (3) | TrackBack

novembro 05, 2003

Tempestade amanhã?

Os estudantes prometem uma manifestação de mais de sete mil estudantes.

Será que vai haver tempestade?

Publicado por vmar em 01:10 AM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 04, 2003

A ignorância tem destas coisas

Dois miúdos conversam sobre os futuros presentes de Natal:
- O que é que vais pedir ao Pai Natal?
Diz o outro:
- Eu vou pedir um penso higiénico.
- Um penso higiénico? O quê?...para que serve um penso higiénico?
- Isso eu não sei. Mas, eu li na embalagem que com penso higiénico,
podes ir à praia, nadar, jogar vólei, montar a cavalo, etc...

Publicado por vmar em 12:40 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 29, 2003

Pai fundador da psicologia social preocupado com os jovens

Serge Moscovici, um dos pais fundadores da Psicologia Social e um dos impulsionadores da ecologia política na França, disse esta quarta-feira que a sua principal preocupação de hoje em dia é ver tantos jovens a estudar tanto. Moscovici diz que é aos 20, 21 anos que temos mais capacidade criativa e que a actual geração passa este período a ter aulas.

E esta?
Não creio ser este um sentimento generalizado da população.
Há inclusive quem os acuse de pouco estudar, passar o tempo na borga e consumir recursos paternos e do estado.
Quem tem razão?

Publicado por vmar em 11:56 PM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 27, 2003

Ensino superior: mais de um terço das vagas ficaram por preencher

Quase seis mil vagas em cursos superiores públicos ficaram por preencher este ano por inexistência de candidatos, mesmo depois da segunda fase do concurso nacional de acesso, cujos resultados serão afixados amanhã.

Porquê?
Porque estão a diminuir os alunos no superior?
Excesso de licenciados?
Falta de empregos para licenciados?
Pouca capacidade dos alunos para tirar uma licenciatura?
Passou de moda?
Ganhar dinheiro já, é mais importante que arranjar canudo?
O que se passa?

Publicado por vmar em 10:42 PM | Comentários (5) | TrackBack

Rectificação

O post inserido hoje de manhã, sobre as praxes académicas, continha uma afirmação incorrecta.
Dizia que eu concordava com a posição defendida pelo Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, quando na verdade a ideia tinha sido defendida pelo Dr. Pacheco Pereira ( no Jornal da Noite da Sic). Aos dois peço desculpa pelo lapso ( o post foi entretanto corrigido).
A trovoado e a chuva que caiu neste fim de semana fez alguns estragos, pelo menos na minha cabeça e os “copy” - “past” também não ajudaram. Enfim, um engano acontece a qualquer um.

Publicado por vmar em 04:52 PM | Comentários (0) | TrackBack

Praxes : recalcamentos ou angustias de “meninos”

A posição defendida pelo Dr. Pacheco Pereira, no seu comentário semanal acerca das praxes, merece o meu mais completo acordo. Alguns esclarecimentos foram feitos, e lembraram a quem desconhecia factos importantes sobre o assunto.
A praxe não é uma tradição académica de todo o país – mas mesmo que o fosse decerto não incluiria as “brincadeiras” que alguns estudantes agora teimam em realizar.
A arrogância que estes estudantes usam nestas praxes resultam, ou de recalcamentos de juventude ou na antevisão do seu futuro como “doutores”, a amarfanhar os seus futuros subordinados. Um espírito são, jamais poderia entrar em tais “jogos”.
Os acontecimentos que têm vindo a público ( a maioria a opinião pública desconhece ) revelam a degradação de uma prática que com alguma brincadeira, deveria ser funcionar como uma ferramenta, na integração do estudante numa nova fase da sua vida. De lamentar, os poucos casos de praxes imorais, que têm vindo a público.
A “barbárie” que se instalou nalguns estudantes revelam um espirito doentio e uma moral “medieval”.
Penso ser a altura de dizer “Basta!” e mesmo podendo ser alvo de alguma crítica, sobre o tom autoritário ou ditatorial, acho que as instâncias académicas deveriam impor o fim das praxes.
Este caso tem um certo paralelismo como um que se viveu durante a guerra colonial. Nesse tempo os mancebos que detinham o que agora equivale ao 9º ano, eram integrados no exercito como melicianos. Ao fim de pouco tempo eram considerados “aptos” a comandar um punhado de homens. Alguns desses “meninos”, talvez vítimas de maus tratos durante a juventude, logo aproveitavam os galões recém adquiridos, para começar a “mandar”. O hábito de tratar as pessoas como nem os animais se deve tratar, tornou-se frequente para não dizer diário. A queixa por parte do soldado, resultava numa agressão, ainda mais severa.
Ora não vamos hoje deixar repetir, os erros do passado.
As marcas deixadas por estes “jogos”, podem deixar efeitos muito perniciosos, nos “praxados” e dar uma sensação de poder irreal aos autores destas praxes.

Publicado por vmar em 11:29 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 22, 2003

O que diz o reitor da Universidade de Coimbra

Excertos de uma entrevista de Seabra Santos reitor da Universidade de Coimbra ao Diário Económico

Acredita que o aumento das propinas vai afastar muitos estudantes das universidades públicas. Mas não concorda com a forma da contestação dos estudantes.

”Até posso admitir que o Estado chegue à conclusão que não tem dinheiro para investir no ensino superior e por isso aumente as propinas. Mas se é o Estado que vai beneficiar deve ser ele a fixar a propina.”

“Cada minuto que se perde a discutir propinas e gestão das universidades desvia-se a atenção dos sectores da administração pública que poderiam contribuir realmente para conter o défice público. Quando olhamos para o défice do SNS de 4,2 mil milhões de euros, compreendemos onde está o dinheiro mal gasto. Este dinheiro é vinte mil vezes superior àquilo que se ganha em todas as universidades públicas num ano, ao introduzir esta nova propina. Também no IRS estima-se que haja uma fuga ao fisco na ordem dos 3 mil milhões de euros Andamos todos a conversar sobre ‘peanuts’, sobre pequenas verbas comparadas com os valores que passam pelos outros sectores.
Se a Casa da Música tivesse sido concluída com o orçamento inicial, teriam sido poupados 50 milhões de euros. Dinheiro que dava para construir um edifício de uma universidade com a mesma área útil e ainda reduzir a zero a totalidade das propinas de todos os estudantes da Universidade do Porto, durante os cinco anos que demorou a construir o projecto.”

”Não posso aceitar o discurso optimista do Governo que considera que nenhum estudante irá ficar de fora do sistema por dificuldades económicas. Não podemos confundir a árvore da floresta. É certo que há muitos estudantes que chegam de automóvel caro às universidades, mas em Coimbra cerca de 26% dos estudantes tem bolsas de estudo. Existe uma grande franja de estudantes que não tem elevados rendimentos, nem tem condições para receber bolsa. Penso que a fasquia para conseguir bolsa é demasiado baixa. Era importante subir essa fasquia para que se garantisse que nenhum aluno ficará de fora do sistema por falta de condições económicas, o que não vai acontecer.
A propina mínima representa 16% do custo de ensino, mas tenho a certeza absoluta que a propina máxima pode ser a diferença entre ter um filho deslocado a estudar numa universidade pública e tê-lo na privada ao pé de casa. É uma forma de favorecer o acesso às universidades privadas. Para mim há famílias que não vão por os filhos em universidades públicas pelo facto das propinas serem demasiado altas.”

”Penso que é legítimo o Estado alegar que vai aumentar as propinas e compensar isso com aumento das verbas para acção social. Porque o aumento das bolsas garante que ninguém fique de fora por condições económicas. Mas eu penso que não garante e terá que garantir a curto prazo. Em Coimbra cerca de 2/3 dos estudantes são deslocados. Para esses 14 mil alunos temos apenas 900 camas em residências. Estamos a fazer um esforço para duplicar essa capacidade, mas mesmo assim vamos ficar muito longe das capacidades. Mas não é legítimo argumentar que a diminuição das verbas de funcionamento serão compensadas com verbas para a acção social escolar.”

“Sempre fui contra o aumento, mas a favor da existência de propinas. Porque considera que é missão do Estado por à disposição dos cidadãos habilitações compatíveis com as suas capacidades. Não penso que o canudo seja um bem de luxo.”

”Mas esta missão do Estado deve ser mediada através de uma taxa moderadora para valorizar esse bem social. Na sociedade em que vivemos consideramos que tudo o que é de graça é mau e, por isso, o cidadão que quer ter acesso a este bem deve fazê-lo por mediação de uma taxa que deve representar uma importância simbólica.”

”Propus ao anterior secretário de Estado que a propina fosse fixada em lei como taxa moderadora, que representasse 10% do custo real de ensino. Devo dizer que a propina máxima actual, no curso de Direito, representa quase 40% do custo real.”

Publicado por vmar em 12:15 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 21, 2003

A receita do ensino superior

Propinas: OE´2004 prevê encaixe de 159 milhões de euros

O Orçamento de Estado (OE) para 2004, que em breve será aprovado na Assembleia na República, prevê que o Governo arrecade, pelo menos, 158,6 milhões de euros com a cobrança das propinas. A notícia é avançada na edição de terça-feira do Diário de Notícias, o qual refere ainda que, para a obtenção destes valores, o Executivo social-democrata fez as contas com base na propina mínima: 463 euros.

Ora como a maior parte das instituições estão a optar pela propina máxima ( 852 euros ), é fácil ver que a receita quase dobrará.
São muitos milhões.
Vamos ver como serão gastos!
Talvez sirvam somente para colmatar as verbas que o estado queria deixar de transferir para as universidades.
Será assim?

Publicado por vmar em 12:50 PM | Comentários (0) | TrackBack

Estudantes continuam os protestos

Protestos no Ensino Superior começam com greve nacional

Os estudantes do Ensino Superior iniciam, esta terça-feira, uma greve de contestação à reforma do sector e à nova Lei do Financiamento que, em certas faculdades, promete prolongar-se até ao final da semana. Segundo já afirmam alguns dirigentes estudantis, este é apenas o primeiro passo numa onda de protesto que promete ser cada vez maior.

Independentemente da opinião ou da vontade de cada um os protestos vão continuar a ouvir-se .
A juventude sempre revelou uma forte motivação nos seus ideais.
Não vai ser fácil calá-los.
Alguém ganha, ou temos um empate?

Publicado por vmar em 12:36 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 17, 2003

Ensino Superior com menos dinheiro do Estado

Instituições de ensino superior recebem menos, acção social sai reforçada

No próximo ano, universidades e politécnicos vão contar com menos dinheiro do Estado para realizar as suas actividades de ensino (é por isso que as propinas têm de aumentar). Quer em relação ao orçamento de funcionamento, quer no que respeita ao investimento, as instituições assistem a uma diminuição das transferências.

Ao todo, vão receber 1128,7 milhões de euros. No ano passado, a previsão inicial foi de 1143,9 milhões de euros, o que corresponde a uma quebra de 1,3 por cento em termos nominais (menos 15,2 milhões de euros). Se a este valor se juntar a inflação prevista para 2004 (entre 1,5 por cento a 2 por cento) (Promessas!!!), o corte real poderá rondar os três por cento.(mais uns dois ou três por cento em cima)

Ciente das dificuldades que as instituições possam ter, a ministra da Ciência e do Ensino Superior, Maria da Graça Carvalho, anunciou também ontem que, a partir do início de próximo ano, a tutela deverá estar ( mais promessas?)em condições de "reforçar os orçamentos de funcionamento das instituições" através da celebração de contratos programa, válidos para cinco anos. (eu também quero um contrato)

"Até ao final do ano, vamos rever a situação, caso a caso, de cada uma das escolas", assegurou Maria da Graça Carvalho, que se escusou, no entanto, a adiantar as verbas disponíveis para a celebração destes contratos. "O valor em causa vai permitir resolver as situações mais críticas"(tás lixada – 95% de críticas contra 5% de não críticas venha o diabo e escolha), garantiu a ministra durante a apresentação do OE do Ministério da Ciência e do Ensino Superior (MCES) para 2004.

O "desenvolvimento/aprofundamento do sistema científico, tecnológico e do ensino superior" é uma das grandes apostas do MCES ( já o outro dizia que era a sua paixão), sendo que, para esse objectivo, a tutela conta com mais 2,1 por cento relativamente ao ano anterior.

A ciência e a acção social escolar, cujas verbas para investimento e funcionamento crescem 13,2 por cento, foram as duas áreas privilegiadas com o reforço de verbas. O aumento do apoio aos alunos tinha já sido anunciado pelo ex-ministro Pedro Lynce e tornou-se uma necessidade incontornável depois da aprovação da nova lei do financiamento, que determina um aumento das propinas entre os 30 por cento e os 140 por cento.(a grande maioria nos 140%, é mais correcto)

Os 167 milhões de euros disponíveis para acção social serão gastos, não só no aumento do valor das bolsas (que passam a ter como referência não um, mas 1,3 salários mínimos nacionais), como na construção de mais camas e no aumento da capacidade das cantinas. O objectivo, afirmou Maria da Graça Carvalho, é aumentar o número de camas de 12 mil para mais de 19 mil em 48 por cento os lugares em cantinas. As regiões norte e centro são as que vão receber uma maior fatia do investimento.(isto é para ir fazendo, mas o aumento das propinas é para já)

Será, pois, no seu orçamento de funcionamento (a vertente importante) que as instituições de ensino superior poderão sentir as maiores dificuldades. Com um decréscimo nominal de 1,3 por cento para as actividades de ensino, as verbas disponíveis ascendem a 1056,5 milhões de euros, quando em 2003 eram de 1070,1 milhões de euros.

A ministra da Ciência e do Ensino Superior está no entanto confiante que a diminuição do número de alunos - que caiu quatro por cento em relação a 2003 – ( e as despesas de funcionamento também vão cair 4%!!? ), a celebração de contratos programas com as instituições de ensino e ainda e a definição de um novo modelo de financiamento e de gestão mais eficiente permitirá suprir as dificuldades. "A principal linha orientadora é pois uma maior justiça social, tendo o orçamento sido redistribuído de modo a beneficiar os mais carenciados e garantir um ensino de qualidade para todos", sublinhou Maria da Graça Carvalho.

E são exactamente estes os princípios que a ministra apresentará hoje a reitores, presidentes dos politécnicos, estudantes e sindicatos, numa ronda de contactos que decorrerá ao longo de todo o dia. Sendo certo que a continuidade em relação à política definida por Pedro Lynce está garantida, Maria da Graça Carvalho disse estar "disposta a ouvir as preocupações de todas as partes".

A governante anunciou ainda que, já no próximo ano lectivo, os candidatos a Medicina deverão contar com mais vagas no ensino superior. A medida tanto poderá passar por uma "optimização dos recursos existentes", como pela "abertura de novas faculdades".

(comentários) entre parentesis a bold

Publicado por vmar em 11:14 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 14, 2003

Instituições fixam propina máxima para compensar cortes orçamentais

Responsáveis pelas universidades e politécnicos admitem que em muitos casos a fixação da propina máxima serviu para compensar os cortes orçamentais.

Os responsáveis das instituições de ensino superior admitem que, em alguns casos, fixaram a propina máxima para compensar os cortes orçamentais propostos para o OE 2004. O CRUP aponta um corte de 15 milhões de euros na proposta de orçamento de funcionamento apresentada pelo Executivo. Por sua vez, o Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos (CCISP) denuncia cortes de 3% no orçamento.....

....O reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Armando Mascarenhas Ferreira, declarou ao DE que fixar a propina em 700 euros anuais foi a única forma encontrada para «fazer face ao corte orçamental de 1,2 milhões de euros proposto pelo Governo para o OE 2004 e suprir as carências para que a universidade possa funcionar». A decisão do Senado foi tomada tendo em conta o ‘plafond’ orçamental proposto pelo Governo que representa um corte de 3,8% relativamente ao orçamento de 2003. O reitor recorda que esta universidade já tinha sido alvo de um corte de um milhão de euros no OE 2003.

....Adriano Pimpão, presidente do Conselho de Reitores (CRUP), afirma que todas as instituições «estão a fazer uma análise do montante das propinas a fixar, integradas no orçamento. Na minha interpretação quase todas as instituições acabaram por fixar valores de propinas mais elevadas – embora muitas pensassem, inicialmente, que não iriam além do valor mínimo — tendo em conta os cortes orçamentais». «A propina acaba por reforçar o orçamento», adianta o reitor dos reitores.
As universidades foram afectadas por um corte global, que variou entre 1,2 e 2%, em termos nominais, o que representa uma diminuição de 14 milhões de euros.

....Adriano Pimpão, presidente do Conselho de Reitores (CRUP), escreveu já uma nota ao responsável pela pasta do ensino superior onde critica o facto dos responsáveis das instituições não terem sido ouvidos no processo de elaboração dos orçamentos.

....Para o responsável máximo dos reitores a única conclusão «é que o orçamento foi feito ao contrário. O Estado definiu quanto é que podemos dar e depois é que avançou com a fórmula». As instituições tiveram acesso aos ‘plafonds’ orçamentais, antes de conhecer a fórmula, o que Adriano Pimpão considera «ilegal».

Publicado por vmar em 11:10 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 13, 2003

Propinas outra vez

Sem entrar em polémica sobre a cobrança ou não cobrança de propinas queria simplesmente colocar umas questões:

É correcto passar de uma propina de 352€ para 852€?

Não era mais correcto fazer uma aumento faseado ao longo de dois ou três anos?

É justo que um estudante de engenharia de qualquer coisa em Lisboa pague 852€ e outro estudante do mesmo curso pague no Porto 460€? O país não é o mesmo?

Porque não se entrou em linha de conta com o custo específico de cada curso, por exemplo?

O aumento das propinas serve para quê? Aliviar o Estado de despesa?
Para ir gastar onde? Saúde? Segurança Social? Submarinos? Mercedes?

Uma coisa é certa.
Alguém largou a batata quente e quem a apanhou que se amanhe!
No meio disto os paizinhos é que estão lixados.
Pagam a conta justa ou injusta.

Publicado por vmar em 06:15 PM | Comentários (0) | TrackBack

Big brother literário

O manual do 10.º ano de Língua Portuguesa, apresenta aos alunos o regulamento do “Big Brother”, propondo-lhes que o apreciem e digam o que já sabem sobre o concurso.

Se é importante a leitura e a interpretação de um regulamento na aprendizagem dos alunos, decerto haveria no país outros regulamentos, sem ligações a conteúdos de duvidosa qualidade e sem os obrigar a ter conhecimentos sobre shows que de conteúdo literário não têm nada.
Se a questão se refere a conhecimentos e argumentação sobre questões sociais, aos alunos não faltam temas muito mais contributivos para a sua formação pessoal.

A qualidade do ensino e sua vertente pedagógica são as vigas mestras para a aprendizagem dos alunos. Amanhã não vamos poder exigir à geração de hoje que fale e escreva português correcto quando hoje não os ensinámos convenientemente.

Quando hoje se comenta tanto o desempenho escolar e se insinua o pouco empenho dos educandos, talvez se devesse questionar mais fortemente os conteúdos, os educadores e o sistema de educação.

Uma reflexão profunda sobre todos os intervenientes na educação, sem tabus, decerto abriria novas perspectivas para um ensino de qualidade.

Publicado por vmar em 04:46 PM | Comentários (5) | TrackBack

outubro 06, 2003

A Ejaculação Precoce da Propina

Tem-se escrito muito sobre o novo regime da autonomia universitária, e alguns sectores advogam o princípio “Todos os serviços têm um valor - e esse valor deve ser pago por quem o utiliza”.

É um princípio perigoso. Olhando para ele, assim sem mais nem menos, até parece justo e correcto. Mas a sua aplicação cega, feita numa lógica simplista e crua, é caminho curto e directo para injustiças e desumanidades.

No caso concreto do aumento das propinas, a passagem de uma propina de 350 Euros para 852 Euros representa um aumento brutal, que pode não perturbar quem tem bons rendimentos mas vai deixar «à nora» as famílias de recursos económicos mais fracos. Tal não seria tão gravoso se tivesse havido – entre outras medidas de fundo, muito mais importantes e necessárias - a preocupação básica da sua implementação gradual, como acontece com o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis). Mas não. Decretou-se o aumento das propinas. A matar. Pois claro, quem quer andar na Faculdade que a pague!...

A meta dos 852 Euros que, segundo cálculos feitos, representa actualmente o valor da propina paga nos anos quarenta, não passa de uma grande demagogia, pois assenta num raciocínio que parte de uma premissa errada. É que, nos anos quarenta, só tinha acesso à universidade uma reduzida – muito reduzida - população elitista, saída, na sua esmagadora maioria, de famílias que se governavam bem em termos económicos e financeiros. De fora ficava o grosso da população do país, milhares e milhares de analfabetos e atrasados culturalmente. Felizmente, hoje já não é assim. A entrada na Universidade democratizou-se, se calhar com muita pena de alguns «senhores» que nos governam. É que, como todos sabem, os analfabetos têm a vantagem de terem poucas necessidades e nenhuma ou pouca acção reivindicativa e, portanto, socialmente são mais fáceis de contentar e de calar.

Quanto ao argumento, usado e abusado, até em publicidade na TV, de que nenhum estudante universitário vai deixar a faculdade por questões económicas pois, para isso é que existem as bolsas de estudo e o apoio social escolar, não passa da mais refinada e revoltante demagogia. Os escalões de capitação são ridiculamente baixos. É ridículo que o 1º escalão seja de 89 €. Qual a família que consegue viver com esta capitação e manter um filho numa universidade?. O que leva que, em termos práticos, só seja acessível aqueles que, fugindo ao fisco, declaram rendimentos abaixo do efectivamente recebidos. O que é um «dois em um», neste caso significa duas injustiças numa só. Aliás, toda a gente sabe que é assim. Esta questão é, há muito, conhecida e contestada nos meios académicos.

Com o esquema em vigor de apoio social e, partindo do princípio – com base na garantia dada pelo Ministério de que não vai haver redução de verba - que, este ano, os montantes sejam os mesmos do ano anterior, isso leva a que o número de estudantes com apoio social vai diminuir. É tudo uma questão de contas: o mesmo dinheiro a dividir por propinas mais altas resulta diminuição de bolseiros. E não estão a ser contabilizadas outras despesas como subsídios para transportes, alimentação e dormida...

Critica-se muito os meninos que se passeiam nas faculdades por seis, sete e mais anos, nos seus carrões e que estudam pouco por falta de tempo, pois perdem-no nas festas e bares da noite. Acho bem. Mas, e os outros? Aqueles que desejam honestamente tirar um curso superior e nem se candidatam à universidade pois, contas feitas a uma eventual bolsa que poderiam obter, não dá para sobreviver, quanto mais para pagar despesas escolares?

Parece-me que seria justo o principio “quem tem dinheiro para carros e festas deve pagar propinas a dobrar”. Se calhar, quase toda a gente concorda. Mas como levá-lo à pratica?

Um dos problemas graves na sociedade portuguesa, nesta e noutras situações, é que muitas leis funcionam como remendos dos problemas e não vão ao fundo das questões. O aumento das propinas é paradigmático disto.


O argumento de que o financiamento das Universidades assenta nos impostos está correcto. O que já não está correcto é que se diga que são pagos por todos nós. Quem são “todos nós”? Se são os trabalhadores por conta de outrem, que não conseguem fugir aos impostos, estamos de acordo. Mas, e todos os outros, que poderiam – e deveriam - representar uma fatia importante no rendimento colectável? É que não é isso que se verifica. Mas isso levava-nos à questão fiscal e essa, ainda que fulcral - e exactamente por isso -, merece tratamento próprio.

Acrescento apenas, no que diz respeito à questão fiscal, uma das questões mais graves que afecta o país, nas últimas duas décadas, é a transparência fiscal dos contribuintes. Da direita à esquerda todos o reconhecem como um problema tremendo. Contudo, continuamos a discutir métodos e objectivos, mas em termos práticos pouco se avançou. Aliás, todos o sabemos, o conceito de que quem paga os impostos todos é parvo e estúpido continua a vigorar na nossa sociedade. A cultura da evasão, seja fiscal seja de qualquer outra natureza, está já tão enraizada nas nossas mentes que parece transmitir-se geneticamente aos descendentes. A resolução desta questão terá fortes consequências na vida dos portugueses a vários níveis, sejam eles a educação, a saúde, o trabalho ou a segurança social.

Quanto ao investimento na educação, convém não esquecer que Portugal gasta menos de metade da média dos 30 países da OCDE, portanto apesar do que se tem dito não é um investimento exorbitante.

Mesmo que se analise a questão do investimento à luz das dificuldades do país e que se argumente com estas para considerar o dito investimento elevado, não passa de conversa de «encher». É verdade básica que o esforço na educação tem de ser sempre um alvo prioritário de qualquer governo empenhado no salto qualitativo na esfera internacional.

A preparação académica é fundamental para ultrapassar os obstáculos que se nos deparam no presente. As estatísticas internacionais – e portanto independentes – revelam não só a deficiente preparação de muitos dos nossos trabalhadores mas também dos nossos empresários.
Da preparação dos nossos estudantes hoje, resultará amanhã qualidade dos nossos trabalhadores, empresários e governantes.
È que para sermos bem governados também temos que investir na sua formação.
E assim, para além de uma questão económica, a questão da educação é também uma questão política e um investimento no futuro.
Resta acrescentar que os resultados de uma política de educação só começam a ser visíveis ao fim de alguns anos. Ponham os olhos na Irlanda, de que se fala frequentemente, e saibam que os resultados que hoje se vêem começaram com políticas de formação há uma década.

Por último, não há garantias que este aumento sirva para aumentar a qualidade do ensino ou o melhor equipamento das instituições. Porventura servirá para liquidar despesas de funcionamento e ajudar a anular o défice dos estabelecimentos de ensino, vitimas da redução de verbas no passado recente.

Voltando ao princípio, ou seja à questão do utilizador-pagador, ao conceito do «quem quer um serviço tem de o pagar», imagine-se uma aplicação simplista do conceito, por exemplo, no sector da saúde.
Rapidamente poderia acontecer o seguinte:
- O número de óbitos na 3ª idade subiria vertiginosamente.
- As despesas com reformas e medicamentos desceriam vertiginosamente
- A nossa população seria reduzida vertiginosamente
- O rejuvenescimento da população subiria vertiginosamente
- O crescimento económico do país subiria vertiginosamente

Mas seria socialmente e moralmente justo?

Podem argumentar que saúde e educação não é bem a mesma coisa. Saúde (que, já agora, anda cada vez pior) joga com a vida de cada um, literalmente falando. Mas a educação também, sem ela o país acaba por morrer.
Há valores que julgo não terem preço, e ver algumas situações em termos mercantilistas é ter uma visão mesquinha da vida.

Publicado por vmar em 07:44 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 03, 2003

Bolsas de estudo

No DN de hoje vem a noticia que se transcreve este bloco:

“...Os estudantes cujos rendimentos familiares se inserem no escalão mínimo _ menos de 89 euros de capitação _ , que frequentem estabelecimentos de ensino superior com a propina máxima (852 euros), que beneficiem de todos os complementos de subsídio para cobrir despesas de deslocação e alojamento (que podem chegar a 35% do salário mínimo), poderão receber o valor máximo, 531 euros mensais....”

Mas quem é que consegue manter um filho na universidade com uma capitação de 89 euros?

Serão histórias do Pai Natal para embalar o povo?

Ou alinha-se oficialmente com a fuga ao fisco?

Publicado por vmar em 10:57 AM | Comentários (0) | TrackBack